Créditos de Carbono e a sustentabilidade da Amazônia
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Publicada em: 01/12/2004 Seção: Políticas públicas  

A discussão sobre a Proteção dos Serviços Ambientais (PSA) e os créditos de carbono como alternativa de geração de renda para as comunidades da Amazônia foram os destaques do encerramento do Workshop Internacional “Bolsa Amazônia e os Mercados para Negócios Sustentáveis: Quem Compra, Quem Paga e Quem Ganha!?”, no dia 20 de outubro de 2004, no Hotel Beira Rio, em Belém. Uma promoção da Bolsa Amazônia com apoio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Sven Wunder, do Centro Internacional de Pesquisa Florestal (CIFOR), falou para os participantes do evento sobre os ‘Novos Mercados para Serviços Ambientais e Populações Rurais: Quem Vende!? Quem Paga!? Quem Ganha!?’. E lembrou que o PSA tem potencial para oferecer uma nova fonte de renda para as comunidades do campo, desde que pensados para esse fim. ‘Grande parte desses serviços ambientais é prestada de graça por pequenos produtores. Serviços fundamentais para garantir a floresta e evitar a grande emissão de gás carbônico na atmosfera. No futuro, esses serviços terão que ser pagos’, afirmou.

É o caso do povo amazônida que já produz sem queimar a floresta; reduzindo a emissão do CO2 através do reflorestamento e do uso de áreas alteradas. Um benefício para toda a humanidade que deveria ser pago, principalmente por aqueles que são grandes responsáveis pelo efeito estufa. ‘O mundo tem que pagar para as comunidades que sustentam e preservam a floresta, que é importante para a humanidade. É com muita alegria que vejo que a Bolsa Amazônia decidiu enfrentar essa discussão de frente e nós estamos dispostos a apoiar essa iniciativa’, disse Rosalía Arteaga, secretária geral da OTCA, durante o Workshop.

Alerta - A necessidade de tratar a questão com mais seriedade é ainda mais importante considerando o alerta do Fórum Internacional sobre Mudanças Climáticas. Os dados mostram que se nada for feito para reduzir a emissão de CO2, a temperatura mundial vai aumentar até 2,5 graus nos próximos trinta anos.

‘Com esse workshop esperamos dar o passo inicial para começar a preparar os produtores para o acesso a esse novo mercado, dos Serviços Ambientais. Ao receber crédito para proteger a floresta, a comunidade vai devolver o que está recebendo de forma sustentável e ecologicamente correta’, explicou Thomas Mitschein, coordenador geral do Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia (POEMA), um dos parceiros da Bolsa Amazônia.

Sustentabilidade – Outro objetivo do workshop era estabelecer estratégias para inserir nos mercados local, nacional e internacional produtos sustentáveis da Amazônia boliviana, brasileira, colombiana, equatoriana, peruana e venezuelana. ‘Temos vários produtos como as geléias e o artesanato do Equador, as polpas de frutas da Colômbia e o papel feito com fibras naturais da Amazônia e até trabalhos direcionados ao ecoturismo. Produtos de qualidade, que precisam deslanchar no mercado’, explicou Nazaré Imbiriba, secretária geral da Bolsa Amazônia.

Para alcançar o objetivo, os produtos precisam trabalhar com quantidade, qualidade, preços competitivos e sistematização da entrega. Uma saída encontrada para superar essas dificuldades é a integração entre todos os atores amazônicos públicos, privados e não governamentais para fortalecer as cadeias produtivas, as parcerias estratégicas e capacitar recursos humanos para esse mercado’, garantiu.

Bolsa Amazônia – O Programa Regional Bolsa Amazônia é a primeira rede de instituições da sociedade civil amazônica dedicada, inteiramente, a fomentar a geração de emprego, ocupação e renda na região através do uso agroindustrial dos recursos naturais e o acesso a mercados de produtos amazônicos sustentáveis.

O programa tem usado instrumentos de capacitação, informação e promoção com o objetivo de fomentar os negócios sustentáveis, capazes de gerar ocupação e renda para os atores envolvidos com a produção de bens de consumo individual. As experiências são bastante positivas, mas ainda é necessário fortalecer e integrar outros países amazônicos à Bolsa.

Por isso, depois de dois dias de discussão, na quinta, dia 21, todos os representantes da Bolsa Amazônia se reuniram para delinear as novas ações do programa para o triênio 2005/2007.

Por: Rebraf
 
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