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No início dos anos 90, algumas entidades se juntaram para discutir e apoiar o trabalho com SAFs - sistemas agroflorestais na Mata Atlântica. Foram realizados 4 seminários sobre o tema entre 1991 e 1996, três deles no estado do Espírito Santo; e um em Iguape, no Vale do Ribeira, estado de São Paulo, organizado em parceria pelas instituições REBRAF e PROTER.
Mais tarde, a Rede PTA fundou o Grupo de Trabalho Sistemas Agroflorestais ou GT-SAFs. Este GT organiza encontros periódicos, onde são visitadas e discutidas as experiências da entidade anfitriã (monitoramento coletivo). Por outro lado, começou a desenvolver projetos como, p.ex., a sistematização das experiências com sistemas agroflorestais (2000 – 2001) e um projeto conjunto de experimentação e capacitação em SAFs (iniciado em 2003), ambos financiados pelo Ministério do Meio Ambiente – MMA.
O MMA também demandou ao GT SAFs a elaboração de propostas para desenvolvimento de políticas públicas com intuito de apoiar ações basedas em sistemas agroflorestais no contexto da agricultura familiar e no bioma da Mata Atlântica. Desta forma, o GT-SAFs passou a ser o lugar de interlocução entre a Rede PTA e o MMA no que se refere a discussão de políticas públicas, de participação da sociedade civil nas decisões do Governo Federal e na inserção da Rede PTA em espaços importantes em nível federal.
São frutos deste trabalho a publicação de um Edital de Projetos de Sistemas Agroflorestais pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, a construção de uma linha de crédito do PRONAF para reflorestamentos e sistemas agroflorestais na Mata Atlântica (PRONAF Florestal) e a participação da Rede PTA na OSCIP que será a entidade operadora dos futuros programas do PDA – PP/G7.
A primeira reunião de trabalho do "Projeto de Formação Agroflorestal em Rede na Mata Atlântica", financiado pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente – FNMA, através do Edital 11/2001 "Difusão e Capacitação em Sistemas Agroflorestais", foi realizada durante os dias 7 e 8 de agosto de 2003, em Lages, no estado de Santa Catarina, nas dependências do Centro Vianei de Agroecologia. As entidades participantes deste encontro estão relacionadas na seção Entidades
O Projeto abrange vários estados inseridos no bioma da Mata Atlântica, desde o Rio Grande do Sul até Pernambuco, e é implementado em rede por 15 entidades, governamentais e não-governamentais, que trabalham com desenvolvimento sustentável no âmbito da agricultura familiar, visando:
- a identificacao, em 8 estados, de experiências consolidadas de SAFs e de agricultores que possam atuar localmente como Monitores Agroflorestais;
- respostas ou indicativos para a superação dos limitantes à adoção de práticas e sistemas agroflorestais a partir de um processo de reflexão-sobre-a-ação e reflexão-na-ação;
- propiciar o aprimoramento e nivelamento de informações gerais sobre aspectos ecológicos, econômicos e socioculturais de práticas e sistemas agroflorestais;
- consolidar interfaces entre os métodos de sistematização, geração de indicadores, monitoramento e de difusão das experiências e práticas em SAFs, atualmente em uso na Mata Atlântica;
- divulgar as experiências e os processos desencadeados pelo projeto, bem como formar uma rede de Monitores Agroflorestais de âmbito nacional e;
- consolidar e ampliar a rede de organizações existentes.
Para chegar ao alcance das propostas, o projeto se assenta nos seguintes princípios:
- participação efetiva e o protagonismo dos agricultores que trabalham com sistemas agroflorestais;
- o diálogo de saberes entre agricultores e entre agricultores e técnicos;
- a interculturalidade e a diversidade;
- a ação em rede.
Diante disto, o projeto pretende:
- contribuir para o equilíbrio entre as dimensões econômica, sociocultural e ambiental do desenvolvimento da agricultura familiar;
- contribuir para a conservação e manejo sustentável do ambiente natural e do agroambiente, bem como aumentar a biodiversidade nas pequenas propriedades rurais e;
- contribuir com a discussão e formulação de políticas públicas que possam criar condições favoráveis para a consolidação da agrossilvicultura como uma ferramenta importante para o equilíbrio da agricultura familiar com o meio-ambiente.
Fonte: Histórico proveniente de Relatório do PROTER de 2002. |
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